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Dólar fica instável até o fim do ano, dizem especialistas; veja o que fazer

Dólar fica instável até o fim do ano, dizem especialistas; veja o que fazer

FONTE: http://g1.globo.com/economia/seu-dinheiro/noticia/2014/10/dolar-fica-instavel-ate-o-fim-do-ano-dizem-especialistas-veja-o-que-fazer.html

 

Expectativa é que patamar da moeda fique acima de R$ 2,40. Melhor estratégia é ir comprando aos poucos, nos momentos de queda.

Marta CavalliniDo G1, em São Paulo
Notas de 100 dólares expostas em um banco de Westminster, no Estado norte-americano do Colorado  (Foto: Rick Wilking/Reuters)
Valor do dólar cai quando há confiança na
economia brasileira e com entrada da
moeda norte-americana no país
(Foto: Rick Wilking/Reuters)

A disputa eleitoral para a Presidência do país impacta a alta na cotação do dólar, e a tendência é que a instabilidade no câmbio permaneça pelo menos até o final do ano, segundo especialistas ouvidos pelo G1. Além disso, eles preveem que a moeda norte-americana não voltará mais abaixo do patamar de R$ 2,40.

Por isso, quem precisa comprar dólar para viajar deve ter cautela. O momento é de acompanhar a cotação dia a dia e deixar para comprar quando a moeda estiver com valor menor. Os especialistas dizem que a melhor estratégia é ir comprando aos poucos.

Desde o dia 12 de setembro, a cotação do dólar para venda tem fechado acima dos R$ 2,30. O valor máximo foi atingido no dia 2 de outubro, três dias antes do primeiro turno das eleições, fechando em R$ 2,4918 na venda. Desde então, o mínimo que a moeda atingiu foi R$ 2,386 no fechamento do dia 8 de outubro.

Principais dicas dos especialistas
Acompanhe a cotação dia a dia e compre quando a cotação estiver menor
Consulte portais de finanças para comparar como estava antes e como está agora para ter parâmetro de quando vale a pena comprar
Quem vai comprar precisa ter consciência de que o valor a ser pago será o do dólar turismo, que é mais caro que o comercial
Quem vai para a Disney, por exemplo, em junho, já deve  começar a comprar dólares, mas de forma gradual, em etapas, em momentos de queda
Quem se matriculou em um curso no exterior para começar em fevereiro, por exemplo, deve comprar dólares já, independente da oscilação

Vai viajar?
“Não tem como dizer compra agora ou compra depois. O que a gente vem recomendado é que se você vai viajar já vai fazendo as compras do dólar, mas não tudo agora, deixa uma parte para depois. O dia que desce aproveita pra comprar um pouco. Compra em duas ou três etapas, se ficar mais caro pelo menos comprou uma parte mais em conta”, diz a planejadora Myrian Lund.

“Tem que fugir do efeito manada, de comprar porque viu no noticiário que houve recorde, aí a chance de comprar num pico momentâneo é muito grande. A vantagem de adquirir aos poucos é se precaver de gastar toda a disponibilidade num momento de pico de preço”, diz Paulo Bittencourt, diretor-técnico da Apogeo Investimentos.

Segundo ele, o comprador deve ter noção de quando o dólar está com valor alto ou baixo. O consultor recomenda olhar em portais de finanças para comparar como estava antes e como está agora para ter parâmetro e saber se vale a pena comprar ou não.

“Anota a variação nos dias, quando você cria seu próprio registro dos dados fica mais confiável. Não vai perguntar a quem vende se está numa hora boa ou não. Claro que ele vai falar que sim”, afirma.

Quem vai comprar precisa ter consciência de que o valor a ser pago será o do dólar turismo, que é mais caro que o comercial – valor oficial registrado no fechamento do mercado. “Não serão aqueles R$ 2,30 do fechamento do dia, mas o valor que as casas de câmbio cobram”, alerta Bittencourt.

Segundo Myrian, a cotação de R$ 2,50 no dólar turismo é um bom valor para os parâmetros atuais. João Medeiros, diretor da Pioneer Corretora de Câmbio, explica que o dólar turismo é cerca de 4% mais caro que o dólar comercial.

Os especialistas alertam que dias que antecedem eleições e períodos de anúncios de medidas econômicas não são bons momentos para comprar dólar. “Quando passar a eleição não quer dizer que volte à normalidade, tem que acompanhar o que está acontecendo no cenário econômico e político, e isso inclui o cenário internacional porque a economia está globalizada”, alerta Bittencourt.

Bittencourt recomenda a quem vai para a Disney, por exemplo, em junho, a já começar a comprar dólares, de forma gradual, até ver como fica a volatividade do câmbio.

Já quem se matriculou em um curso no exterior para começar em fevereiro, por exemplo, deve comprar dólares independente da oscilação, e não esperar dezembro ou janeiro para comprar. Pagamentos de hospedagem e passagem já devem ser feitos.

Quem deixou para adquirir a moeda na última hora pode se dar mal. “Pode ter um surto e ir a R$ 2,70? Sim, e pode durar 5 dias úteis esse valor, e se for exatamente o tempo que a pessoa tem para comprar o dólar, aí vai ter prejuízo, então tem que comprar antes”, diz Bittencourt.

Cartões
Myrian diz que a vantagem de usar o cartão de débito pré-pago no exterior é a definição com antecedência do valor a ser gasto lá fora e a cotação do dólar já definida no dia em que o dinheiro é colocado no cartão.

Medeiros lembra que deixar para gastar no cartão de crédito é arriscado. “Você paga o valor na data de vencimento, por isso, deixar para gastar na fatura futura é uma armadilha porque não se sabe quanto a moeda estará valendo naquele dia”, diz Myrian.

“As pessoas que vão em operadoras de turismo e compram pacotes para o ano que vem estão arriscando. Pode ser que estejam pagando mais caro agora do que se comprasse daqui a alguns meses, mas há muitas coisas em jogo, não dá para saber ainda se agiu corretamente comprando agora”, comenta Medeiros.

‘Sentado no dinheiro’
“Se eu tivesse dólares eu ficaria sentadinho em cima dele”, diz Medeiros. Mas, dependendo da situação, segundo ele, se precisa de dinheiro é uma boa hora para vender a moeda norte-americana. “Mas o melhor é esperar para ver o que vai acontecer”, afirma.

Para Myrian, não existe forma de ganhar dinheiro com dólar. “Ou é para aplicar lá fora por segurança e diversificação ou para ir armazenando para futuras viagens”.

Disputa eleitoral
“O câmbio está intimamente ligado à disputa eleitoral”, diz João Medeiros, da Pioneer. Para ele, a instabilidade vai continuar, independente de quem ganhar a eleição, “porque precisa colocar a casa em ordem”. “Há as medidas do novo governo, aí é a hora de abrir o caixa, em caso de vitória de Dilma não se sabe quem será o novo ministro da Fazenda e o presidente do Banco Central, então são vários fatores”, diz.

“A volatividade vai continuar até as equipes [do novo governo] se montarem. O dólar deveria estar nessa faixa mesmo de R$ 2,40, R$ 2,50, o governo é que estava jogando para baixo”, diz Myrian Lund.

Pesquisa realizada pelo Banco Central com mais de 100 instituições financeiras, na semana passada, revela que a previsão dos economistas para o dólar, no fim de 2014, é de R$ 2,40. Para o término de 2015, a previsão dos analistas para a taxa de câmbio é de R$ 2,50.

De acordo com Myrian, se Aécio Neves se tornar presidente não quer dizer que irá entrar dinheiro no país. “As medidas só vão ser tomadas em janeiro, aí ele vai dizer a que veio, criando ambiente de confiança, e é isso que equilibra o mercado. A volatividade vai continuar acontecendo porque vai pelo emocional. Para cair (a cotação do dólar) é necessária a confiança e a entrada de dólar no país”, explica.

Para Myrian, os investidores que levaram dólares para fora não vão trazê-los de volta agora, por isso, não é possível contar com a queda do dólar em um primeiro momento. “Se a Dilma ganhar pode subir, mas depois eles vão tomar alguma medida para segurar a cotação porque o dólar impacta os preços para as indústrias.”

Segundo Bittencourt, da Apogeo Investimentos, o patamar do dólar está mais alto desde julho. “Antes disso houve trégua porque os americanos postergaram o aumento dos juros, a Rússia ficou mais estável e o dinheiro foi para outros países. À medida que os números macroeconômicos foram ficando mais frágeis ao longo do ano, o dólar foi a R$ 2,35 já em julho, e desde então não desceu mais, chegando a R$ 2,50 às vésperas do primeiro turno. Se a gente voltar no tempo, a tendência era de depreciação do real. Os americanos voltaram a ficar com a economia mais aquecida, todos os fundamentos macroeconômicos apontam para a apreciação do dólar em relação ao real”, explica.